“Inspiração é para amadores”

Vinda de um grande artista plástico americano, Chuck Close, esta frase causa certo espanto, mas ao mesmo tempo nos faz refletir sobre nossa vida profissional.

O artista reconhecido por muitos como hiper-realista, pela impressionante perfeição de seus retratos, ou minimalista – pela forma como reduz suas pinceladas ao mínimo para manipular a percepção do observador-, provou estar acima de rótulos, transitando em diferentes formas de manifestação de sua arte, como no mosaico que abre esse post.

Nunca havia ouvido falar deste artista, até assistir ao documentário Abstract: The Art of Design, do Netflix, onde tive contato com essa frase. Ao pesquisar mais sobre seu autor cheguei ao artigo A Persistência de um Retratista (NYT). Rapidamente percebi que era uma falha no meu repertório cultural, até porque o artigo não era novo e a simples busca no Google pelo seu nome trazia mais de 52 milhões de referências. E me identifiquei imediatamente com as imagens que vi. Suas obras têm uma capacidade assombrosa de despertar sensações e nos fazer refletir sobre a construção da beleza da vida.

Detalhe do auto-retrato

E aí volto para a minha reflexão original: se um artista plástico legitimado mundialmente não se dá ao luxo de trabalhar só quando inspirado, por que nós operários corporativos e/ou publicitários, muitas vezes usamos a falta de inspiração para justificar uma entrega aquém do aceitável ou fora do prazo? O fato da vida é que, acordando inspirados, ou não, temos que levantar, trabalhar e entregar um “produto de qualidade”. No meu caso, tenho várias frentes de trabalho e não posso, por conta da falta de inspiração, deixar meus interlocutores profissionais – empresários, executivos e alunos – a ver navios.

O artista que afirma que a ”inspiração é para amadores” e que “algumas vezes você sabe que você fazendo. O resto do tempo, você simplesmente faz.”, continua produzindo obras incríveis, mesmo tendo sofrido um derrame, tendo perdido parte dos movimentos e utilizando uma cadeira de rodas para se locomover. Compensa suas limitações com assistentes e novas técnicas e segue sua vida produtiva.

E, então, só nos resta seguir o exemplo e seguir trabalhando;-)

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Cecília Andreucci é administradora e doutora em ciências da comunicação. Atua como conselheira de administração, consultora e docente. É especializada em mercadologia, consumo e marcas.

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