Sangue, suor e marcas.

A temporada do tênis mundial em 2017 foi épica. Eu não jogo tênis, mas não tive como não me envolver emocionalmente com essa temporada. Minha motivação para esse artigo veio do jogo de duplas, disputado na Laver Cup, onde Roger Federer e Rafael Nadal defenderam o título, juntos, representando a Europa (Federer, pela Suíça; Nadal, pela Espanha). Um jogo para guardar na memória. O número 1 e o número 2 do mundo, protagonistas de uma das maiores rivalidades da história do tênis, deram um show de simpatia, bom humor e técnica e paparam a dupla americana em pouco mais de uma hora. Foi a primeira vez que eles jogaram do mesmo lado da quadra em toda carreira, mesmo sendo amigos. A torcida veio abaixo. Parece que queriam ver os dois juntos há muito tempo e ficaram em êxtase.

O melhor dos esportes estava ali representado: técnica, espirito esportivo, amizade e superação – ambos imaginavam que não teriam mais uma temporada como essa, quando se machucaram, em 2016, saíram no meio da temporada, já acima da idade média do Olimpo deste esporte.

Os “velhinhos” da elite mundial do tênis brilharam mais do que nunca. É um tapa na cara do ageism. Federer, 36 anos, levou Austrália Open e Wimbledon; Nadal, com 31 anos, levou Roland Garros e US Open. Com isso, o primeiro virou o tenista que mais ganhou o Grand Slam, com 18 vitorias – os quatro principais torneios da temporada . E Nadal, o maior ganhador de quadras de saibro e é número 1 do mesmo ranking mundial.

Quanto vale isso para a marca que patrocinou Nadal e Federer, no caso a mesma, a Nike? No mínimo, mais que os milhões de dólares que esses dois esportistas faturaram juntos só esse ano. Mas isso é pouco perto do que a marca vai monetizar globalmente com o storytelling dessa temporada. E se eles tivessem interrompido o contrato porque ambos haviam se machucado e estavam acima da “idade ideal”, se é que isso existe? Certamente, estariam mais que arrependidos hoje. Não foi o caso. E parabéns para quem tomou essa decisão, by the way.  A Nike honrou seu taglineJust Do It. As fotos demonstram um pouco do sentimento gerado, com os dois carregando a marca, neste jogo inédito. Um patrocínio só vale a pena para uma marca quando consegue estreitar o vínculo emocional com seus clientes, gerar emoções, o que a Nike tem conseguido. O sofá da minha casa ficou cheio de gente assistindo tênis, como se fazia para assistir a Fórmula 1 no tempo do Senna e Piquet.

Curiosamente, ao pesquisar um pouquinho sobre o Laver Cup, fui descobrir que ele foi financiado por Jorge Paulo Lemann, que para os que me acompanham aqui no LinkedIn sabem que sou uma grande fã. Para os que chegam agora, entendam porque, aqui. O novo torneio, que inovou até na cor das quadras – negras- levou os maiores ícones da atualidade (os que não estão machucados!) e já se tornou um dos torneios de exibição mais interessantes do esporte. E assim o tênis vai ganhando os corações dos brasileiros e a Nike vai junto.

P.S. . É preciso confessar que eu sou torcedora do Djokovic, mas ele foi simplesmente abduzido por gurus e ortopedistas neste ano. Em 2018, ele voltou com a cabeça e o corpo em ordem. 2017, contudo, foi de Nadal e Federer.

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