O varejo gaúcho tem muito a nos ensinar

O problema de se trabalhar com marketing é que, automaticamente, nos tornamos consumidores muito mais exigentes do que a média. É difícil sair feliz de uma compra. Sempre achamos que podia ter sido melhor. Neste ano, prometi que ao invés de falar mal das inúmeras experiências chatas das compras de natal, destacaria as boas.

E não foi numa loja de luxo, como poderia se esperar, que fui encantada. Foi num supermercado! Nada mais banal. No meio da confusão natalina, consegui sair de lá feliz. Uma loja despretensiosa que faz o que o bom varejo tem que fazer: oferecer variedade e serviço de qualidade, com preço justo, sem causar desconfortos de qualquer espécie. Parece simples, mais não é. E talvez essa seja a maior lição: a simplicidade. Um exército de pessoas tem de trabalhar duro e muito investimento tem de ser feito para isso acontecer.

Num ano em que a crise pegou as empresas em cheio, muitas lojas diminuíram a oferta de produtos nas suas prateleiras. Com isso, quem quer manter todas as marcas queridas na despensa, tem de fazer uma via-crúcis. Mas não será esse o caso, se escolher fazer suas compras na rede gaúcha Zaffari, muito conhecida na sua terra natal, mas meio estrangeira em território paulista. Geralmente, quando comento sobre ela com conhecidos, recebo uma expressão de estranhamento de volta.

Fui parar na loja por acaso, num novo shopping de bairro, Morumbi Town. Jamais iria até lá se não estivesse atrás de um brinquedo da lista do Papai Noel, na Ri Happy. Era a única loja da cidade que tinha a tal prenda e no mesmo centro de compras tem o tal mercado. Não pretendia fazer as compras de natal ali, mas mudei de ideia quando vislumbrei uma loja tão espaçosa  ̶̶ grande e com corredores largos bem iluminados ­ ̶̶  muito organizada, bem sinalizada, e com uma variedade de produtos que vemos em poucos locais de São Paulo.

Coisas que geralmente só encontramos em mercados-boutique, lá estavam à disposição, como na seção de chás importados e na de vinhos. Contudo, tudo com um preço muito mais atraente. E também produtos que andam sumidos, lá se encontram em todas as suas versões, como o Leitíssimo – by the way, leite para quem realmente aprecia leite de qualidade.

Seções que geralmente são caóticas, muito organizadas, em displays apropriados, como as de suco em pó, abaixo.

Um cliente chama atenção da esposa para um suco de laranja engarrafado: “Olha o preço!”. E eu pergunto: “Caro ou barato?”. Ele responde: “Muito barato!”. Era a primeira vez dele na loja também. Se era assim tão barato, não sei dizer, pois não costumo comprar esse produto. Outra cliente me diz que logo que abriu, virou cliente, meses antes. Que já ouvira falar por um amigo que tem uma loja próxima de sua casa, na Pompeia. Eu, naturalmente, já conhecia de nome, pois trabalho com varejo, mas nunca havia entrado como cliente.

Pergunto a uma funcionária se ela gosta de trabalhar ali e tenho, de volta, um belo sorriso. Contou que a empresa a contratou, meses antes da loja abrir, para ser treinada e estar pronta no dia da inauguração. E equipe treinada e feliz é tudo no varejo.

Ainda que os colaboradores sejam muito prestativos, a rede coloca em todos corredores leitores de preço para facilitar ainda mais a vida dos clientes.

Já escrevi que o branding no varejo vai muito além de uma identidade de marca primorosa e de campanhas publicitárias onipresentes. No caso da Zaffari, nenhum desses dois pontos são boas referências, por sinal. O fundamental é a experiência que a marca oferece  no ponto de venda, que nesse caso, é exemplar. E para coroar tudo, no final, ganhei a shop bag acima, que ajudou a carregar parte da compra. Enfim, os gaúchos dando um show de bola em São Paulo. Viva imigração!

Cecília Andreucci atua como executiva, consultora e docente de marketing e marcas. E antes que os concorrentes perguntem, é paulista e nunca trabalhou para a rede Zaffari.

7 thoughts on “O varejo gaúcho tem muito a nos ensinar

  1. Cecília
    Gostei duplamente – como gaúcho e fã do Zaffari, que conheço bem pois morei 25 anos em Porto Alegre, onde também estudei.
    Hoje em SAO atravesso a cidade para comprar “cacetinho” e outras gauchices no Zaffari.
    O reconhecimento vindo de especialista em varejo valeu mais ainda.

  2. Gosto muito do Zaffari do Shopping Bourbon. produtos de extrema qualidade, preços de mercado e atendimento excepcional. Acredito ainda ser possível, mesmo com as baixas margens do varejo, oferecer um serviço de qualidade em meio a tantas opções desagradáveis! Antes que perguntem, sou paulistano e não trabalho para o Zaffari!

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